Paulo Speller
A Universidade da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab) começa a se materializar. Anunciada pelo presidente Lula em julho de 2008, durante a Cimeira de Chefes de Estado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a universidade deve inaugurar suas atividades em 2010. As atividades acadêmicas serão concentradas nas áreas de agricultura, saúde, gestão e formação docente, ofertadas a cinco mil estudantes, metade dos quais provenientes de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Portugal. Os dois mil e 500 brasileiros serão escolhidos por seleção democrática de mérito através de mecanismos como o Enem e de programas de acompanhamento do ensino médio, respeitada a legislação brasileira de inclusão sócio-étnica. O campus brasileiro da Unilab começa a dar os primeiros passos licitatórios com o apoio da UFC, na cidade cearense de Redenção, no Maciço do Baturité.
A inovação acadêmica deverá permear o projeto político-pedagógico da nova universidade, em preparação por sua Comissão de Implantação, que integra 16 membros, vinculados à Associação de Pesquisadores Negros do Brasil, ao Banco do Brasil, Capes, Colip, Embrapa, FAO, Fiocruz, Itamaraty, MEC, Seppir, Setece-CE, Unesco e universidades federais brasileiras. Inovação essa, que deverá se refletir no caráter internacional da Unilab como universidade multicampi abraçando os oito países da CPLP na África, América, Ásia e Europa. Os estudantes da Unilab realizarão suas atividades no campus de Redenção e nos campi de seus países de origem, podendo ainda desenvolver parte de suas atividades em outras instituições dentro do princípio da mobilidade acadêmica. O contato com a realidade de cada região será parte integrante da graduação e da pós-gradução, comprometendo-se o futuro profissional a contribuir socialmente depois de receber formação de qualidade na Unilab e demais instituições.
Apresentamos a proposta geral da Unilab ao conjunto dos países africanos durante a Conferência Regional de Educação Superior, realizada pela Unesco em Dakar, em novembro passado. Os países africanos de expressão portuguesa manifestaram o mais alto interesse, assim como diversos países de língua inglesa, francesa e castelhana. É verdade que a universidade iniciará suas atividades preferentemente nos países africanos de língua portuguesa, mas não se deve descartar a extensão de suas ações a outros países africanos, sendo o continente foco principal da Unilab. Quando da realização da Conferência Mundial de Educação Superior (CMES), a se realizar na sede da Unesco, em Paris, em julho deste ano, o Brasil e demais países da CPLP poderão, com orgulho redobrado, apresentar a criação da universidade internacional como realização concreta, no contexto da priorização que a CMES colocou no continente africano.
O projeto de lei de criação da Unilab, encaminhado pela Presidência da República ao Congresso Nacional em agosto passado, foi aprovado por unanimidade pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados sob a relatoria do deputado Eudes Xavier, da bancada cearense. Encontra-se agora na Comissão de Educação e Cultura sob relatoria do deputado Pedro Wilson (GO), devendo ser submetido posteriormente às Comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania e de Finanças e Tributação, assim como ao Senado Federal. Aprovado, será sancionado pelo Presidente Lula, o que poderá acontecer ainda antes da CMES.
Precisamente nesta semana iniciamos a interlocução direta com os países da CPLP. Partindo de Fortaleza, voamos diretamente para Cabo Verde, onde cumprimos extensa agenda de trabalho, incluindo governo, universidades, escolas, sociedade, além da Embaixada Brasileira. Guiné-Bissau será visitada na sequência. Ao retorno, participaremos de reunião da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), que congrega instituições de quatro continentes. Posteriormente visitaremos Moçambique, Timor, Macau, Angola, São Tomé e Príncipe e Portugal. Semana que vem falaremos sobre Cabo Verde e Guiné-Bissau. A Unilab abre esperanças e representa desafio de inovação com qualidade e inclusão.
Paulo Speller, doutor em ciência política pela Universidade de Essex (Reino Unido), reitor da UFMT entre 2000 e 2008, preside a Comissão de Implantação da Unilab. E-mail: speller@ufmt.br
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
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